Renê Freire – Nevroses

Não é possível salvar um desastre, mas é possível tocá-lo. Após um acidente doméstico ocorrido em seu apartamento, o pianista pernambucano Renê Freire utilizou seu piano danificado para realizar uma improvisação direta que resultou no álbum “Nevroses”. Renê Freire é pianista e compositor, nascido em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Leia a seguir a conversa que tivemos pela ocasião de seu lançamento no Música Insólita.

Imagem de capa do álbum “Nevroses” feita pela A capa foi feita pela artista recifense Havane Melo, radicada em Brasília

Música Insólita: Conta um pouco sobre seu percurso na música até aqui e sobre sua atuação como professor?

Renê Freire: Eu comecei a estudar música com 10 anos de idade e parei depois de dois anos. Só voltei a estudar música aos 19 anos anos de idade, primeiro estudei bateria e logo depois fui para o piano ( instrumento que eu tinha iniciado na infância). Estudei piano erudito no conservatório de Olinda (CEMO) e depois fiquei tendo aulas particulares com a professora Joana Darc Florêncio, do Conservatório Pernambucano de Música.

Em 2013 eu me formei em licenciatura em música na Universidade Federal de Pernambuco. Desde a metade do curso eu dou aulas particulares de piano e teclado e trabalho em escolas especializadas no ensino de música.

MI: Um dos seus trabalhos em evidência é o Adamante, projeto em parceria com outros artistas. Como foi para você atuar em conjunto e como foi chegar a ideia do seu álbum solo, Nevroses (Música Insólita, 2020)?

RF: Foi massa a história na Adamante, houve uma troca muito legal com Henrique Correia e Vinícius de Farias e acho que a gente fez um trabalho bem bonito. Sobre o Nevroses, aconteceu muito por conta do incêndio que aconteceu na minha casa em 2017 e o piano pegou fogo. Depois que tudo passou, eu queria muito gravar o som que eu conseguiria tirar do piano naquele estado. No ano passado Thelmo Cristovam foi lá em casa e gravou mais de uma hora em que eu improviso neste piano. Desta gravação de Thelmo, um pouco mais de 30 minutos é o material do Nevroses.

Registro do piano queimado após um acidente doméstico ocorrido na casa do artista

MI: Improvisação X Composição. Comente as duas experiências para você e quais os limites entre elas (caso a distinção faça sentido para você).

RF: No meu caso há limites nos termos da elaboração. A composição é mais pensada e testada durante o processo criativo, a improvisação é mais intuitiva. Não que não haja intuição na composição e o pensar na improvisação, mas na composição você pode superar alguns vícios, muitas vezes pelo maior distanciamento do seu instrumento. Na improvisação você utiliza o seu idioma, as suas técnicas e linguagens estabelecidas até então, já na composição é mais fácil você propor algo diferente do seu “habitat natural”.

MI: Como você percebe a cena experimental na sua cidade? E como entende a cena de outras regiões, partindo do seu ponto de vista/experiência?

Acho a cena de Recife muito rica e que tem muita gente talentosa como: Yuri Bruscky, Tai Ramosleal, Thelmo Cristovam, Túlio Falcão, Henrique Correia, Sulfur, Henrique Vaz, entre outros. O Festival foi e é o grande impulsionador da cena da música experimental de Recife. Porém, acho que a música experimental é menos divulgada fora do sudeste e o espaços para tocar são mais escassos. Tem muita coisa acontecendo fora do eixo Rio/SP/Minas, um exemplo disso é a Paraíba, que tem gente muito talentosa fazendo música experimental como: Valério Fiel da Costa, Vitor Ço, Matteo Ciacchi, Luã Brito, entre outros.

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